Antes de existir uma empresa, existia uma menina cercada por livros.
Algumas histórias começam com uma ideia de negócio.
A nossa começou muitos anos antes.
Começou dentro de uma casa, com uma menina observando o pai.
Meu pai era pastor. Mas aquilo que eu via no púlpito aos domingos era apenas uma parte de quem ele era. Em casa, eu encontrava o mesmo homem.
Ele orava. Muito.
Lia a Bíblia todos os dias. Estudava. Pesquisava. Ao redor dela estavam dicionários teológicos, comentários bíblicos e tantos outros livros que faziam parte de sua rotina.
Eu cresci vendo um homem que não apenas falava sobre aquilo em que acreditava
Ele vivia aquilo em que acreditava.
Era brincalhão, amoroso, presente. Mesmo quando a vida apertava, nunca deixou faltar o necessário à nossa família. E, quando sua fé foi desafiada, permaneceu firme.
Eu o admirava profundamente.
E talvez sem perceber, enquanto o via ler, estudar e ensinar, alguma coisa também estava sendo escrita em mim.
Não como objetos em uma estante.
Não como obrigação escolar.
E muito menos como mercadoria.
Livros chegaram até mim associados a descoberta, conhecimento, fé, perguntas, respostas e transformação.
Eu queria aprender como meu pai aprendia.
E comecei a ler.
Li histórias que atravessaram minha adolescência e juventude. Alguns livros tinham trezentas, quatrocentas páginas e desapareciam das minhas mãos em poucos dias.
Vieram Yuri, Desafiando os limites da fé, Deixados para Trás, A Cruz e o Punhal, Evangelismo com Fogo, Deus Trabalha no Turno da Noite, O Deus que Você Procura e tantos outros.
Um livro terminava, outro começava.
Sem perceber, meu pai não estava apenas formando uma leitora.
Estava deixando um legado.
Depois de um ano lutando contra um câncer, aprouve o Senhor levá-lo consigo.
Ele não estava fisicamente presente quando concluí minha faculdade de Letras.
Mas, minha mãe e minha irmã estavam.
E eu continuei.
Mais tarde entrei na faculdade de Teologia. Estudei, mergulhei ainda mais profundamente nos livros e tive a honra de ser escolhida como oradora da minha turma.
Naquele dia, diante de todos, falei sobre ele.
Sobre meu exemplo de pai, de homem, de caráter, de pastor e de teólogo.
Porque algumas pessoas deixam muito mais do que lembranças.
Elas deixam sementes que continuam crescendo mesmo depois que já não estão aqui para vê-las florescer.
Construí minha carreira profissional longe das estantes de uma biblioteca.
Trabalhei durante muitos anos no mundo corporativo. Estudei, cresci, assumi responsabilidades, construí projetos e me dediquei intensamente àquilo que fazia.
Mas os livros nunca foram embora.
Continuei lendo, continuei estudando, vieram pós graduações e especializações.
Comecei também a escrever.
Participei de livros como autora convidada. Escrevi meu próprio livro. Continuei ensinando e compartilhando conhecimento.
Até que, depois de muitos anos de carreira no mundo corporativo, Deus me deu a oportunidade de parar um pouco.
De desacelerar daquele mundo no qual eu passava dias e noites imersa, repensar muitas coisas e olhar de uma nova maneira para algo que havia sido plantado em mim ainda na infância.
O amor pelos livros nunca tinha ido embora. A vontade de compartilhar aquilo que eles haviam representado em minha vida também não.
O que eu ainda não sabia era como transformar tudo isso em algo concreto.
Vieram novas possibilidades. Em minha mente brotavam novos projetos. Mas, aos poucos, uma ideia que já vinha sendo amadurecida em meu coração começou a encontrar forma.
Um clube de leitura cristã.
Ainda não tinha nome.
Mas sua história havia começado muitos anos antes.
Não nasceu simplesmente para enviar livros.
Nasceu de uma convicção que começou a ser construída em mim ainda na infância:
É por isso que fazemos algumas escolhas que talvez sejam mais trabalhosas.
Porque
Porque não foi assim que os livros chegaram à minha vida.
O que
Talvez seja apenas mais um livro.
Mas talvez ali esteja começando um leitor para toda a vida.
Por que ter tanto cuidado com uma curadoria teológica?
Porque eu sei o que uma biblioteca teológica pode representar na formação de alguém.
Sei o que significa abrir um comentário bíblico procurando compreender um texto.
Sei o valor de encontrar um autor que nos faça pensar.
Sei que estudar pode fortalecer convicções, provocar perguntas e nos ensinar que profundidade não significa possuir todas as respostas.
Eu cresci vendo isso acontecer diante dos meus olhos.
E porque, para nós, livro nunca foi simplesmente mercadoria.
Há uma pessoa do outro lado daquela caixa.
Uma criança começando sua história com os livros.
Um adulto tentando reencontrar o prazer da leitura.
Alguém desejando aprofundar seus conhecimentos.
Uma família construindo memórias.
Por isso queremos conhecer um pouco de quem receberá cada Jornada antes de escolher aquilo que colocaremos dentro dela.
Há muitos anos, meu pai disse uma frase que ficou guardada comigo:
“A Dani nasceu ser lider no trabalho. Até mesmo ser sua prórpia "chefe" ”
Eu ri, achei que estava brincando, mas de verdade não estava.
Eu passei boa parte da minha vida construindo uma carreira no mundo corporativo.
Meu pai não chegou a conhecer o Legado em Letras.
Não viu o nome.
Não viu o logo.
Não viu as Jornadas.
Não viu as caixas que um dia chegarão às casas de outras pessoas.
Mas, de alguma maneira, há não apenas um pouco dele em tudo isso, mas muito.
Porque aquela menina que o observava lendo cresceu.
Tornou-se leitora.
Estudou Letras.
Estudou Teologia.
Pós graduou-se.
Tornou-se gestora.
Tornou-se professora, palestrante.
Tornou-se autora.
E agora está construindo uma empresa que acredita que livros podem deixar marcas muito maiores do que aquelas impressas no papel.
Talvez meu pai nunca tenha imaginado até onde chegariam as sementes que plantou dentro de casa. O que foi aquela frase que ele disse
Mas eu sei onde aquelas sementes chegaram.
Porque alguns legados continuam quando o livro termina.